Em sessão longa e tumultuada, 367 deputados votaram a favor do afastamento de Dilma Rousseff da presidência.

impeachment-dilma-rousseff-camara
Manifestante favorável ao governo de Dilma Rousseff chora após saber o resultado da votação do impeachment na Câmara dos Deputados. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Como já era previsto, a Câmara dos Deputados obteve neste domingo (17) mais de um terço dos votos dos deputados, necessários para que fosse instaurado o processo de impeachment da presidente Dilma.

A sessão começou exatamente às 14h00 com muito tumulto e gritaria entre governistas e oposicionistas que disputavam os espaços em que eram captados pelas câmeras dos meios de comunicação, como a tribuna e a mesa do presidente da Câmara. Uma faixa com os dizeres “Fora Cunha” chegou a ser exibida enquanto Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tentava colocar ordem na sessão.

Em meio à confusão, o relator do impeachment, deputado Jovair Arantes (PTB-GO) tentava discursar. Após algum tempo, os ânimos se acalmaram e, na sequência, os líderes dos partidos usaram a tribuna para orientar como seria o voto de suas bancadas.

Os líderes de PCdoB, PMB, PSOL, PT, PTN e REDE usaram a tribuna para criticar o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Já o líder do Solidariedade, o deputado Paulo Pereira da Silva, chegou a cantar da tribuna “Dilma, vai embora que o Brasil não quer você. E leve o Lula junto e os vagabundos do PT”, e defendeu o impeachment.

Apesar da orientação de Eduardo Cunha para que permanecesse na tribuna apenas o líder de cada partido, deputados de vários partidos se aglomeravam atrás da tribuna de modo que aparecessem na transmissão televisiva.

Após os discursos dos líderes de partidos, seguiu-se à votação aberta. A chamada era feita por estados, alternando-se as regiões. Conforme estipulado, cada deputado teria 10 segundos para proferir seu voto em microfone que foi instalado no plenário para tal finalidade. Porém, na prática, muitos deputados, especialmente os oposicionistas, usaram o microfone para discursar. De uma forma geral, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o vice-presidente da República, Michel Temer, eram os principais alvos desses discursos acalorados. Em meio ao clima tenso no plenário, um momento de descontração ocorreu quando Eduardo Cunha chamou a votar o deputado Tiririca (PR-SP), um dos indecisos, e este se manifestou a favor do impeachment, sendo muito saudado de forma efusiva pelos deputados mais próximos.

Como votaram os deputados do Espírito Santo no impeachment de Dilma

Dos dez deputados federais do Espírito Santo, apenas dois votaram contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Carlos Manato (SD) afirmou que daria “férias eternas” para Dilma, e votou a favor do impeachment.

Dr. Jorge Silva (PHS) citou seus eleitores de São Mateus, e votou a favor do impeachment.

Evair Melo (PV) citou de forma contundente o abandono do governo federal ao estado do Espírito Santo, e votou a favor do impeachment.

Givaldo Vieira (PT), aos berros, acusou de golpistas, traidores e corruptos aqueles que votaram a favor do impeachment, e votou contra o impedimento.

Hélder Salomão (PT) atacou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, repetiu a versão de golpe combinada entre os governistas, e votou contra o impeachment.

Lelo Coimbra (PMDB) afirmou que votaria conforme a vontade do povo capixaba, e votou a favor do impeachment.

Marcus Vicente (PP) declarou voto a favor do impeachment, em nome de seus eleitores e de sua família.

Max Filho (PSDB) afirmou que fundamentaria seu voto nos princípios da República Federativa do Brasil, e votou a favor do impeachment.

Paulo Foletto (PSB) citou os eleitores e sua família, afirmando que tinha esperança na recuperação da nação, e votou a favor do impeachment.

Sérgio Vidigal (PDT), lembrou que foi o deputado federal mais votado do Espírito Santo na última eleição, e divergiu da posição do seu partido, votando a favor do impeachment.

Quando faltava apenas um voto para autorizar o prosseguimento do impeachment (eram necessários 342 votos), em meio a gritos no plenário de “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, o deputado pernambucano Betinho Gomes (PSDB-PE), visivelmente emocionado, confirmou seu voto a favor do impeachment e foi ovacionado pelos demais deputados. Imediatamente, milhares de pessoas que acompanhavam a votação por todo o Brasil comemoraram o resultado nas ruas, apesar do relógio já marcar quase meia noite.

A votação seguiu e terminou com o estado de Alagoas, às 23:50, após quase 10 horas de duração. No total, foram 367 votos a favor do impeachment, 137 contrários, 7 abstenções e 2 faltas. Ao fim, deputados cantaram o Hino Nacional.

Representando os estados de Amazonas e Rondônia, todos os deputados votaram a favor do impeachment. A Bahia, por sua vez, foi, proporcionalmente, o estado com mais votos contra o impeachment: 22 votos contrários e 2 abstenções. Apenas 15 deputados baianos votaram a favor do impeachment.

No Rio Grande do Sul, estado de origem política da presidente Dilma Rousseff, 71% dos votos foram a favor do impeachment.

Em Pernambuco, estado de origem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 72% dos votos foram a favor do impeachment.

O processo de impeachment segue agora para o Senado Federal, onde uma comissão irá analisar as acusações contra a presidente Dilma Rousseff. Se o parecer da comissão for favorável ao impeachment, será a vez dos senadores votarem a favor ou contra o afastamento de Dilma.

http://jornaltempodenoticias.com.br/wp-content/uploads/2016/04/impeachment-dilma-rousseff-camara.jpghttp://jornaltempodenoticias.com.br/wp-content/uploads/2016/04/impeachment-dilma-rousseff-camara-150x150.jpgHermann MoraesImpeachment de DilmaCamara dos Deputados,Dilma Rousseff,Eduardo Cunha,Impeachment,Senado FederalEm sessão longa e tumultuada, 367 deputados votaram a favor do afastamento de Dilma Rousseff da presidência. Como já era previsto, a Câmara dos Deputados obteve neste domingo (17) mais de um terço dos votos dos deputados, necessários para que fosse instaurado o processo de impeachment da presidente Dilma. A...Últimas notícias do Espírito Santo, Brasil e do Mundo

Comentários