Pesquisador acredita que “muitas plantas da Mata Atlântica capixaba tenham desaparecido antes mesmo de serem descobertas”

Durante uma expedição de pesquisa em áreas de proteção da Mata Atlântica no Espírito Santo, o professor e pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Renato Goldenberg fotografou duas plantas até então desconhecidas.

A descoberta foi em 2009, mas só pode ser descrita oficialmente no final de 2016, após confirmação da espécie em publicação da Revista online Peerj, especializada em ciências biológicas e médicas.

“Tivemos que comparar essas duas plantas com as outras espécies já identificadas do gênero Bertolonia, cerca de 15, para termos certeza de que eram novas. Tivemos que acessar materiais de outros herbários, inclusive de fora do Brasil”, explica Renato.

Risco nas áreas desprotegidas

As duas novas plantas descobertas da família Melastomataceae (a mesma das quaresmeiras e manacás-da-serra), foram encontradas na Reserva Biológica de Duas Bocas, em Cariacica e agora, se juntam as quase 50 mil espécies já identificadas na flora brasileira. Uma das plantas foi batizada com o nome Bertolonia duasbocaensis (em referência à Reserva de Duas Bocas onde foi encontrada) e a outra, Bertolonia macrocalyx.

Exemplar da Bertolonia duasbocaensis. Parte da área de ocorrência desta planta situa-se em áreas florestais desprotegidas do Espírito Santo. Foto: Renato Goldenberg.

“Essas plantas são pequenas, com folhas de formato arredondado e um fruto triangular”, descreve Goldenberg. O professor ressalta que elas precisam de condições específicas para sobreviver, como locais muito úmidos em barrancos e fundos de grotões (cavidades formadas em relevos desnivelados), sempre sob cobertura florestal densa.

Mesmo recém-descritas, ambas estão criticamente ameaçadas de extinção, se considerados os critérios da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), pois apesar de serem espécies com necessidades específicas, o pesquisador responsável conta que algumas unidades foram encontradas fora de áreas de conservação.

Apoio à pesquisa

O trabalho de identificação e classificação das plantas é mais um dos quase 1.500 projetos financiados pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Desde que foi criada, em 1991, a Fundação já contribuiu com a descoberta de mais de 50 espécies de vegetais, por meio deste tipo de apoio.

Bertolonia macrocalyx descoberta durante pesquisa em áreas de proteção da Mata Atlântica no Espírito Santo. Foto Cláudio N. Fraga.

“Se a floresta não estiver bem preservada, essas são as primeiras plantas que desaparecem.  A Mata Atlântica no Espírito Santo já foi severamente agredida e acredito que outras plantas tenham desaparecido antes de serem descobertas na região”, destaca o pesquisador.

Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, destaca a importância de projetos como esse. “Conhecer as diferentes espécies da flora do nosso país é o primeiro passo para conservá-las. Esse tipo de descoberta nos mostra o quanto a nossa biodiversidade é rica e o quão importante é investir no meio científico”, conclui.

Fundação Grupo Boticário

A Fundação é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação já apoiou mais de 1.493 projetos de 493 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado; os dois biomas mais ameaçados do país.  Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis.

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